sábado, 16 de junho de 2012

Ética e Moral

A ética é diferente da moral. Estes dois conceitos parecem semelhantes e são muitas vezes confundidos, mas são bastante diferentes.
No plano da moral não se discute o que é o bem ou o mal, importa apenas que as normas estipuladas sejam cumpridas. Assim, na moral existe uma normatividade, isto é, existe um conjunto de regras que as pessoas numa sociedade aceitam e põem em prática. Pode-se então dizer que a moral é o conjunto de normas que a generalidade dos indivíduos pertencentes a uma comunidade aceitam como adequadas.
A ética apela à reflexão, à fundamentação, ao pensamento, ao pensar nos valores, ou seja, a ética inclui a reflexão sobre a validade de práticas e costumes de uma determinada comunidade. É a ética que permite que a moral evolua, isto porque a moral é constante e não se altera por si própria. Assim, é a ética que pensa e cria a moral. Mesmo assim, a ética não altera a moral de imediato, pode levar anos até que se verifique uma alteração numa moral.
A ética não coloca questões particulares a um indivíduo, responde a questões mais abrangentes dos valores, a maneira como o Homem deve agir, o que é justo ou injusto, o que é bom ou mau.
A partir da nossa moral, tomamos certas atitudes numa situação imediata. Mais tarde podemos reflectir sobre essa acção e até achá-la errada.
A intenção resulta de cada um, do pensamento de cada indivíduo, ou seja, todas as nossas vontades resultam de nós próprios, isto é, a intenção tem a ver com a nossa interioridade.
A norma, pelo contrário, resulta da exterioridade, ou seja, da sociedade, da educação, da comunicação social, da interacção com os outros.
Assim, na ética existe autonomia e na moral existe heteronomia, sendo essa heteronomia exterior o que vai definir as normas que cada um põe em prática.
O problema aqui é que precisamos de um ponto intermédio, isto porque se nos ficarmos pela moral, podemos chegar a um totalitarismo, em que são impostas regras e leis que o sindivíduos de uma sociedade têm de cumprir sem as poder pensar e sem poder reflectir sobre o que é bom ou mau. Se nos ficarmos pela ética, podemos chegar a uma anarquia, havendo uma guerra pelo poder. Assim, a moral está ligada à sociedade e a ética ao indivíduo.
A consciência moral só pode existir se existir a ética e a moral, isto porque a consciência moral resulta da assimilação pessoal da norma, ou seja, resulta da nossa consciência e capacidade de reflectir sobre a moral que conhecemos. Assim, uma pessoa com uma consciência moral pensa sobre o que deve ou não fazer, de acordo com o seu pensamento autónomo e conhecimento que tem sobre a moral.
O ser humano deve ser sempre um fim nas acções, e não a sociedade. Se a sociedade fosse um fim não evoluia, visto que se iria defender a sociedade e os seus ideais, por mais extremos e absurdos que fossem.

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